terça-feira, 9 de agosto de 2016

UOMO CARBONI - HOMENS CARVÃO



Com o fim da segunda guerra mundial a Itália estava em frangalhos.

Não havia emprego, a comida era artigo raro, de luxo e contrabandeada.

Grande parte das familias,  principalmente as familias de camponeses (boscaiolos) estavam passando por muitas necessidades e precisavam do trabalho para sobreviver.

 Haviam perdido suas vacas, suas terras estavam abandonadas e viviam com muitas dificuldades. Os jovens não tinham onde trabalhar.

O carvão sempre foi produto necessário para as indústrias  e a Bélgica o possuía em grande quantidade, mas não tinha mão de obra suficiente para extrair o mineral e tambem,  não era qualquer homem que se atrevia a trabalhar no interior de uma mina, pois quando o homem desce numa mina,  dentro de uma gaiola de ferro, ele se sente como Adão se sentiu quando perdeu o Paraíso.

Em 1946 a Bélgica e a Itália fizeram um acordo. A Itália deveria mandar a cada semana para a Belgica 2000 mineiros com até 35 anos para trabalhar nas minas de carvão em contrapartida uma percentagem da produção das minas  de carvão Belgas seria destinada à Itália.

Assim milhares de italianos foram atraídos para a Bélgica para trabalhar nas minas de carvão.

Meu Tio Vitor foi trabalhar nas minas de Bruxelas em 1946 e meu pai somente em 1949, pois até 1948 servia o exercito italiano.  

Tio Vitor na realidade não é meu tio, ele é meu padrinho, mas como nasceu no mesmo “paese” de meu pai eles devem ter algum grau de parentesco.

Tio Vitor e sua família sempre estiveram presentes em nossas vidas. Primeiro na vida de meu pai na Itália, depois aqui no Brasil. Para nós eles fazem parte de nossa familia, pois além da amizade que começou na infância, ambos se casaram com mulheres de uma pequena cidade de Santa Catarina (Rodeio) e que são primas em segundo grau. Os dois sempre moraram nas mesmas cidades.

 O trabalho nas minas de carvão sempre foi um trabalho muito duro e perigoso. As condições das minas eram instáveis.

Muitos morriam soterrados ou adoeciam por causa da silicose, doença causada pelo pó que se acumula nos pulmões. 

Deve se ter coragem para descer a 400 metros de profundidade, dentro de uma gaiola de metal,  cheia de homens que levavam lamparinas de gás para iluminar a escuridão das minas.



Essas mesmas lamparinas que iluminavam o caminho podiam trazer a morte ao provocar explosões.

Acrescente a isso um calor infernal, o suor, a poeira negra do carvão, o medo e a instabilidade.

Não era qualquer homem que tinha a coragem de se aventurar a trabalhar em uma mina.

Quando os homens saiam das minas a única coisa que podia se ver neles eram os olhos. Estavam completamente impregnados da fuligem...

Por outro lado eles pagavam bem e eles precisavam de dinheiro para reconstruir suas casas e de seus pais. As escolhas eram poucas...

Assim, cheios de coragem, meu tio e mais cinco ou seis amigos foram para Bruxelas trabalhar nas minas de carvão.

Na entrada da mina, em frente ao elevador que levava os homens para as entranhas da terra, dois dos amigos de meu tio já desistiram da empreitada e foram embora.

Os outros entraram na gaiola que os levaria até as profundezas. Quando a gaiola se abriu no fundo da mina todos os amigos desistiram.

Daquele grupo de amigo, somente ele teve coragem de entrar na mina e começar a trabalhar nela.

- Eu não tinha escolha. Éramos sete irmãos, mais o pai e a mãe. Todos sem trabalho.

Ele não teve escolha.

Trabalhou nas minas de carvão por quatro anos quando finalmente em 1950 após enviar grande parte do fruto do seu trabalho para os pais e irmãos (re) construírem suas casas ele dá um novo rumo a sua vida.

Resolve então viajar para a Argentina onde viviam muitos italianos, mas faria uma escala... Brasil.

Os tempos da negra fuligem ficariam para traz...  Rumo ao dourado sol do Brasil.



Cinco anos depois que eles deixaram a Belgica um grande desastre aconteceu :

“O desastre de Marcinelle ocorreu na manhã de 08 de agosto de 1956 na mina de carvão “Bois du Cazier Marcinelle”, Bélgica. Foi de um incêndio, causado pela combustão de óleo de alta pressão provocado por uma faísca eléctrica. O fogo, que se desenvolveu inicialmente no duto de entrada de ar principal, cheio de fumaça por toda a instalação subterrânea, matando 262 das 274 pessoas presentes, em sua maioria imigrantes italianos. O incidente é o terceiro para o número de vítimas entre os italianos no exterior após o desastre Monongah e Dawson. O site Bois du Cazier, agora abandonado, faz parte do património intemporal da UNESCO [1].”




(...) No charco das galerias,
Suntuosas catacumbas
Enxofradas de pirita,
Aspiro a nuvem maldita,
Que penetra disfarçada
Levando a morte aos pulmões.

Há mil tosses abafadas,
Mil soluços sufocados,
Quando a rafa faz o corte
Entre gemidos de morte,
Que perpassam como espectros
No rumor das explosões (...)
(Monsenhor Agenor Neves Marques)




https://it.wikipedia.org/wiki/Disastro_di_Marcinelle
file:///C:/Users/User/Desktop/mina.pdf

sexta-feira, 25 de março de 2016

Uma Rosa com Amor


Foi uma época muito boa.

Acho que foi no final da década de 70 começo de 80. 

À noite nossa turma sempre gostava de sair para os botecos da vida. Íamos com o dinheiro contado fazendo as contas para que pudéssemos pagar os 10% do garçom.

Às vezes extrapolávamos no consumo sem perceber e então, as vezes, um pai era chamado para dar uma ajuda financeira para não ficarmos “presos” na pizzaria ou no bar. 

Durante toda a noite diversos vendedores passavam oferecendo seus produtos: coco queimado, amendoim torradinho etc... 

Havia um rapaz que vendia sua revista em quadrinhos com seu herói, uma menina que vendia rosas... Ela dizia:
- Moço compra uma rosa com amor para dar para sua namorada ?


Na nossa mesa quase todos eram amigos, as vezes um ou outro namorado e dinheiro para a tal rosa nunca estava incluído no orçamento da noite.


Lembrei-me da menina por causa da novela “totalmente demais” que esta passando na globo.
Assim como a protagonista da novela, essa menina tambem era linda: tinha dois enorme olhos azuis, um cabelo comprido e dourado. Seus traços eram lindos... só não parecia tão brava como a da novela.

 Durante anos a vimos deixar de ser menina e se transformar em adolescente. Sempre oferecendo a rosa! No começo, quando ainda era menina, tinha as unhas sujas, os cabelos desgrenhados, o vestido curto, descalça... 

Na medida em que o tempo passava ela começou a pintar as unhas, pintar os olhos, pentear o cabelo e colocar saias compridas e coloridas. Bem ao estilo hippie. E sempre vendendo rosas. Seu olhar era o que mudava de dia a dia. No começo via se um brilho. Com o tempo o olhar dela foi mudando para: desprezo, um dia aborrecimento, em outro, ironia, em outros raiva. Mas seu olhar era sempre muito forte... muito !

Foi nessa fase que deixei a menina de olhos claros em BH. Nunca mais a vi até o ano retrasado quando encontrei uma mulher envelhecida, pele manchada, grandes sulcos no rosto. Os cabelos desgrenhados mal cuidados e com lindos olhos azuis. Amargurados, cansados, desiludidos... Era ela...


A menina da rosa. Agora a mulher da rosa... 

Nunca perguntei seu nome, nada sei de sua historia mas carrego a lembrança daquela menina vendendo rosas. 


Diferente do que acontece na novela, ela não ficou rica, não sei como foi sua vida o que fez ou o que aconteceu com ela, e naquele dia, em seus olhos, eu imaginei ver o olhar de uma mulher que nunca recebeu “UMA ROSA COM AMOR”.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Conselho de Beleza ( do tunel do tempo)



Essa eu colhi com minha mãe.

Em Rodeio, uma senhora, parteira, avó de minhas primas, a qual conheci como “Nona Miranda” deu um conselho para minha mãe quando ela era pequena:

- Menina, queres acabar com essas sardas ? 
  Então, quando fores ao banheiro, pegue uma toalhinha,      molhe com seu “xixi” e passe no seu rosto. Espere uns   minutos e tome seu banho.

Sua pele vai ficar linda e sem sardas...

domingo, 5 de julho de 2015

ARTABAN, O QUARTO REI MAGO

foto de : https://eliasrodrigues.wordpress.com/2009/12/26/artaban-o-quarto-rei-mago/

Acho que todos já ouviram falar sobre os três reis Magos que visitaram Jesus na manjedoura. Porem poucos sabem que existe uma lenda que fala de um “quarto rei mago”, e a historia deste rei é ainda mais linda.

Segundo a lenda ele nasceu na Pérsia, e assim como os outros três reis tambem queria presentear o Menino Jesus na gruta em Belém, porem ele sempre chegou atrasado...
Segundo a lenda nos presepios de Natal não se coloca a figura dele porque ele sempre chega atrasado nos lugares onde Jesus esta.

É uma linda história e nos mostra que são as ações do nosso dia a dia que são o verdadeiro presente que agradará o Menino-Deus!

Para quem não conhece e quer conhecer, esta é a lenda: 

“Contam os antigos sábios que há muito tempo atrás, antes do Menino Jesus nascer, existiu na Pérsia um jovem príncipe muito instruído em medicina, astrologia e linguística; seu nome era Artaban.

Nas noites claras olhava para o céu estudando as estrelas e certo dia ele viu surgir uma estrela diferente.

Consultando antigas profecias, ele descobriu que aquela linda estrela anunciava a chegada de um “Grande Rei”, o maior Rei que a Terra havia de conhecer. 

Soube então que outros três reis sábios: Gaspar, Baltazar e Belchior partiriam em busca deste Grande Rei. Eles seguiriam a estrela aonde ela os levasse. 

Artaban, o jovem príncipe, decidiu que tambem ele iria seguir a estrela para ir ao encontro do Grande Rei e lhe presentearia com o que de melhor ele poderia encontrar e seu dinheiro comprar. 

Com muita dificuldade ele conseguiu persuadir seu velho pai a lhe deixar partir nesta aventura.

Seu pai, cheio de tristeza, deixou que Artaban partisse, mas impôs lhe a condição de levar consigo na jornada seu servo chamado “Oronte”. 

Antes de iniciar a viagem, Artaban troca boa parte de sua fortuna pelas três pedras mais raras que pode encontrar:

- uma safira azul da cor do mar,

- um raro rubi,

- uma raríssima perola negra,

E são essas três pedras que dará de presente ao Grande Rei, o Rei da Paz. 

Parte apressado, pois já se atrasara na busca pelos presentes e devia se encontrar com Baltazar, Melchior e Gaspar na fronteira de Judá e que a caravana dos três Reis só ficaria naquela cidade por três dias.

No caminho, na Galileia, antes de chegar a Judá, ele encontra um hebreu que fora violentamente ferido por salteadores.
 Na dúvida entre deixar o hebreu jogado a própria sorte ou socorre-lo pensou que de nada lhe adiantava seus conhecimentos de medicina caso não ajudasse a curar este hebreu.
Assim, atrasou sua viagem em 15 dias e curou o hebreu.
Antes de retornar a sua jornada, teve de fazer novas compras para prover o paciente de alimento, abrigo, caros medicamentos e restabelecer suas próprias provisões para a viagem. 
Por este motivo ele teve de vender uma de suas raras pedras: A Safira, azul da cor do mar

Novamente parte apressado e ao chegar ao local do encontro os três reis magos já tinham partido há dias. Os três reis magos deixaram um recado para ele: que  os encontrasse em Belém porque seria lá que o rei nasceria!

Parte então só ele e seu servo rumo a Belém. 
Ao chegar a Belém encontra a cidade  abandonada, pois o rei Herodes, havia mandado todos os homens do reino para o reino vizinho a pretexto de construírem uma estrada.
Na cidade só ficaram as mulheres as crianças e os soldados.

Perambulando pela rua descobre que o menino rei já havia nascido e que os três reis estiveram no local a adora-lo, porem já haviam partido subitamente na calada da noite rumo ao Egito. Partiram os reis, o menino e sua família.

Na casa onde estava hospedado ele ouve gritos de desespero.
 Descobre que os soldados de Herodes estão matando todas as crianças com menos de dois anos de idade para assim eliminar aquele que havia nascido há poucos dias e seria o grande rei. Quando os soldados invadem a casa onde Artaban estava hospedado para matar seu filho de um ano, ele oferece aos soldados romanos outra das suas pedras em troca da vida do filho do dono da casa. Assim, Artaban fica sem o "Raro Rubi de Sangue".·.

Ainda cheio de esperança de encontrar o Menino Rei, parte apressadamente para o Egito, mas não consegue encontra-lo.
Perambula pelo Egito em busca de informações que lhe digam o paradeiro do Menino Deus. 

Um dia, na cidade de Alexandria, em uma sinagoga, um levita lhe diz que ele só poderá encontrar o Menino Rei, junto com as pessoas que ele nasceu para ajudar, ou seja, entre os miseráveis, oprimidos e sofredores.
Assim Artaban resolve ficar naquela cidade, pois estava compadecido dos inúmeros leprosos que habitavam as margens da cidade.
 Ali, em Alexandria, curando e dando assistência aos leprosos, ele permaneceu durante muitos anos... 

Após uns 33 anos curando a ferida dos leprosos de Alexandria, chega à cidade um antigo morador, que havia tido lepra e agora estava curado e conta para Artaban que quem o curou foi o Filho de Deus que estava morando perto de Jerusalém. 

Novamente cheio de esperança Artaban arruma suas coisas e parte imediatamente para Jerusalém para encontrar o Grande Rei e dar lhe de presente a ultima das pedras raras, mas ao chegar à cidade a encontra quase vazia. Dizem lhe que é devido ao feriado de Pascoa e tambem porque Pilatos havia mandado crucificar três homens e as pessoas foram assistir a crucificação. 

Enquanto caminhava na cidade Artaban ve uma jovem de 15 anos sendo arrastada pelos cabelos para ser vendida como escrava a fim de saldar as dividas de seu pai, um negociante do local.
Indeciso Artaban coloca a mão na sua bolsa onde estava guarda a ultima pedra rara.

Artaban mais uma vez troca a rara pedra pela liberdade da jovem. Assim o já velho príncipe se desfaz da terceira pedra rara: A rara Pérola Negra!

De repente, o céu da cidade escurece e um estrondo ecoa no ar. Toda a terra estremece!
Uma pedra vinda não se sabe de onde cai na cabeça de Artaban e ele desmaia.

Durante dias, inconsciente, com febre, Artaban fica entre a vida e a morte. 
Depois de muitos dias ele acorda e a primeira pergunta que faz ao seu servo que estava ao seu lado todo o tempo é se ele havia conseguido encontrar o Grande Rei.

Seu servo lhe diz que havia conseguido encontrar o paradeiro do Grande Rei só que eles haviam chegado muito tarde porque o Rei que eles procuraram durante toda a vida, o Rei dos Reis, havia sido crucificado no mesmo dia em que eles haviam chegado a Jerusalém e salvado a jovem da escravidão. 

Mas neste momento um homem se aproxima deles e diz:

- Artaban, me procuras? Eu estou aqui!

Artaban, emocionado diz:

- Oh! Meu Senhor! Oh Meu Rei!
Perdoa-me, pois agora nada tenho a lhe oferecer!
Passei a minha vida a lhe procurar para lhe honrar com três pedras preciosas, mas hoje não as tenho mais! Perdão Senhor!

Jesus lhe responde:

- Artaban! 
Enganas- te! Recebi cada um dos teus presentes.
Cada pessoa que tu ajudaste nesta tua caminhada foi uma pedra preciosa que me ofereceste.  Me alegrei com o diamante que trocaste para salvar a vida do pobre hebreu e todo o tempo que passaste junto aos leprosos,
Maravilhei-me com o rubi vermelho que trocaste pela vida da criança inocente que salvastes,
Encantei-me com o brilho da Negra Pérola com que compraste a liberdade daquela jovem da escravidão.
Eu sempre estava a teu lado, Tu sempre esteve comigo! Por isso te digo que ainda hoje estarás comigo no Reino dos Céus.

Artaban, feliz e realizado, solta seu ultimo suspiro e morre em paz!" (1)
 (1) http://sgchaves08.blogspot.com.br/2012/12/a-lenda-do-quarto-rei-mago-escritor.html


Curiosidade:

As pedras tem seus significados e abaixo alguns que encontrei se referindo as pedras que o principe Artaban comprou para oferecer ao Grande Rei:

1 - A Safira o ajuda a descobrir a melhor maneira de contemplar a paz da existência. 

2 - Os Rubis erram considerados pelos hindus como as pedras mais valiosas porque preservavam a saúde do corpo e da mente de quem os usava, removendo pensamentos maus, controlando os desejos amorosos, dissipando os vapores pestilentos e reconciliando disputas.
No Lapidário de Philippe de Valois é dito: “Os livros dizem-nos que o belo, claro e fino Rubi é o senhor das pedras, é a gema das gemas e se sobrepõe a todas as outras pedras em termos de virtude”.
Um tratado do século XIV atribuído a Sir John Mandeville assegura ao fortunado usuário de um brilhante de Rubi que ele viverá em paz e concordará com todos os homens, que nem sua terra nem os seus serão levados para longe, e que ele será preservado de todos os perigos. 
A mágica da pedra também guardaria sua casa, suas árvores frutíferas e vinhas dos danos causados pelas tempestades. 

3 - A Pérola por ser extremamente dura simboliza a força e adurabilidade. 
Na antiga alquimia as perolas maceradas eram usadas como elixir da longa vida ou da imortalidade. 

foto de : http://exiliodojaguar.blogspot.com.br/2011/01/o-quarto-rei-mago.html

-http://www.dicionariodesimbolos.com.br/perola/ 
- http://significado-das-pedras.blogspot.com.br/2014/04/significado-da-pedra-rubi.html#uds-search-results
Caso queira saber mais : http://www.patriamineira.com.br/imagens/img_noticias/081801230710_Artaban,_o_quarto_Rei_Mago.pdf

Fechando o mes de Junho


sao paulo

Santo Antonio, casamenteiro,
São João, o fogueteiro,
São Pedro é o chaveiro.
E São Paulo ? O Conselheiro ?
Pedro e Paulo encerram as festas Juninas. Um fecha a porta e o outro deixa um conselho.
São Paulo coitado, é lembrado por poucos, mas suas palavras são uteis para nós todos os dias do ano e estão mais atuais do que nunca:
“todas as coisas me são licitas, mas nem todas me convêm”.
e
“Ainda que eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria”.
Segundo os arqueólogos e historiadores esta festa do dia 29/6 é mais antiga que a festa do Natal. Segundo eles, era nesse dia, que os romanos comemoravam os fundadores de Roma: Remo e Romulo.
Certo é que a festa junina tem origens pagãs ligadas à fertilidade, mas isso é outra historia.









sábado, 16 de maio de 2015

Carros órfãos

foto : doris bonini
Quem frequenta a rodoviária de São José dos Campos já se acostumou com dois carros abandonados no estacionamento.
Um deles é uma “Variant”, vermelha, que deve ser do ano de 1973 ou 1972.

Abandonado há mias de 25 anos dizem que seus proprietários foram localizados em “Franco da Rocha” e desistiram de retirar o carro depois de verem o valor que deveriam pagar para o estacionamento.  Algo acima de R$ 30.000,00 reais.

O outro carro escondido sob uma lona azul dizem ser um Ômega.
Parece estar abandonado há menos tempo. Algo em torno de sete anos.  

Acho que deve estar sobrando muito dinheiro para algumas pessoas. Afinal, abandonar um carro num estacionamento não é para qualquer um.

Não consegui descobrir a história. Penso que devem ter sido roubados e largados lá. Com o tempo ficou inviável saldar a divida do estacionamento.

Existe outra história sobre um carro que ficava estacionado na rodoviária e que é muito inusitada.
Um médico da cidade, depois de brigar e se separar da mulher, sem dinheiro para alugar um apartamento começou a viver dentro do carro.

De noite era para lá que ia para dormir.

O café da manha, almoço e janta com certeza eram realizados em uma padaria. O banho provavelmente ele tomava no hospital que trabalhava...

Bem isso é o que me contaram... Se é lenda não sei, mas a Variant e o Omega existem de verdade. É só chegar lá na rodoviária para ver. Ver e crer!

Quanto ao médico, a essas horas, já deve ter refeito sua vida e deve estar vivendo numa casa, com teto, cozinha, quarto, banheiro e sem “quatro rodas”, com uma nova mulher... Claro! Ou não? Agora fiquei curiosa. Se você souber me conte, ok?





foto doris bonini

sábado, 4 de abril de 2015

Como os "Coelhos" e os "Ovos de Galinha" entraram na história como símbolos da Pascoa?


Sou filha de italianos e crescemos, eu e minhas irmãs, com “tanti amici, intorno alla távola”.
 Meu pai era italiano que veio para o Brasil alguns anos depois da segunda guerra mundial e, minha mãe, era descendente de imigrantes Trentinos que vieram para o sul do Brasil em 1875 para colonizarem o Vale do Itajai.

A primeira língua que falei não foi o Português, e sim o italiano.
Fui aprender a falar correntemente o português somente na escola.

Os amigos de meus pais eram em sua grande maioria imigrantes italianos que se encontravam com muita frequência; na realidade estavam sempre juntos e nós, crianças, ficávamos ouvindo as histórias que eles contavam.

Até hoje compartilhamos destas amizades.
Alguns amigos de meus pais ainda estão vivos, outros já partiram desta vida, mas mantemos a amizade com os filhos...

No fim, somos todos uma grande família!
Com o passar do tempo algumas tradições e costumes que eles trouxeram de sua cidade natal se incorporaram com as das cidades onde eles se fixaram.

Um desse costume ocorre na época da Pascoa.
 É a confecção e distribuição das “sbrocia”.
A “sbrocia” é um doce feito artesanalmente e distribuído principalmente para as crianças na época da Pascoa.
São feitas esvaziando um ovo de galinha ou de pata, com um furo em uma das extremidades.
 Esta “casquinha” vazia é lavada e guardada até a semana da Pascoa quando então é colorida e decorada de diversas maneiras: com tintas, fitas, papel colorido, casca de frutas, etc..
Depois de enfeitadas são preenchidas com amendoim (mandolin) e açúcar e então o orifício é selado com papel.
Nós chamamos este confeito de "torradinha", mas tambem é conhecido como "pralinet".


Fazendo o "toradinho"

O amendoim se conserva perfeitamente por meses nesta casquinha. É uma delicia !

Assim prontos são chamados de “sbrocia”.

É uma antiga tradição do Norte da Itália, Baviera. Atualmente em Pomerode, vizinha a cidade de minha mãe, a tradição está ficando famosa com a tradicional “Oesterfest”.

Quando eu era criança, na época da Pascoa, os adultos escondiam as “sbrocia” nos quintais, nos arbustos dos jardins, dentro das casas, no forno, debaixo das camas, armários, fornos etc... E nós, crianças, com nossas cestas, íamos à procura deles.
Sempre tinham aquelas que eram mais espertas e sortudas que outras e voltavam com suas cestas repletas de ovos...

Já minha mãe e minhas tias comentam que na época em que elas eram crianças o costume era um pouco diferente: Os ovos de galinha eram simplesmente cozidos e coloridos com casca de cebola (laranja), beterraba (vermelho), espinafre (verde) e macela (amarelo).
 Um adulto colocava os ovos sobre um gramado ou uma arvore e dava uma pataca (moeda grande da época) para que a criança acertasse e quebrasse o ovo. 
A criança que acertasse ficava com o ovo e a pataca.

Mas porque estou contando tudo isso?

Bem, foi em um domingo de Pascoa que fui até a casa de um desses amigos de meu pai, entregar umas “sbrocias” que eu havia feito.

Conversando com ele, perguntei como era a comemoração da pascoa quando ele era criança, na pequena cidade italiana onde nasceu.

Na pergunta que fiz a esse amigo de meu pai, existia a intenção de rastrear de onde viera a tradição de juntarem como símbolos da pascoa os “ovos” de galinha com coelhos.

A resposta que eu já tinha a essa pergunta não me satisfazia:

- os ovos representam a vida

- os coelhos representam a fecundidade. A nossa fé deve ser fecunda.

Isso para mim não era o bastante.

Depois de várias tentativas (frustradas) de me responder a pergunta que lhe fizera, ele resolveu me contar como era difícil, pobre e diferente a Pascoa no seu tempo de criança.
 Foi então que sem perceber ele me deu a resposta que eu procurava:

“Vocês aqui no Brasil são privilegiados. Não tem o frio que nós temos no mês de dezembro e janeiro. As galinhas nem colocam ovos nessa época, ficam todas encolhidas... Quando por fim a temperatura começa a esquentar elas resolvem sair do galinheiro e colocam alguns poucos ovos. Os primeiros ovos que elas colocam são dados para as crianças e os idosos.”

Bingo!

Matei a charada!

Conclui que os ovos de galinha eram naquela época fria do inverno europeu, uma iguaria que era reservada para as pessoas mais fracas!

Agora sim a coisa começava a se encaixar!

Com toda certeza, com o passar dos anos e a melhora da condição financeira da familia,eles passaram a colorir os ovos e quando eram um pouco mais abastados eles o enchiam de "torradinha", ou "amendoas" e chocolate. 

Bem... Já havia descoberto como os ovos entraram na tradição da pascoa e agora queria saber como os coelhos entraram nessa história.



Ele mesmo me disse que tambem os coelhos desapareciam no inverno e só começavam a reaparecer no inicio de março...

 Mas eu achei que devia ter outra explicação.
 Acho que devem existir outros animais que tambem se escondem no inverno... Muitos hibernam e não são símbolos da pascoa.

Pesquisava de um lado, pesquisava de outro e não consiguia achar nada; até que em um determinado site li um texto que achei bastante interessante.
 Nele descobri que há milênios e em diversas culturas no mundo, o símbolo da lua é uma lebre (nós adaptamos para coelho) e a gestação de uma lebre leva em torno de 40 dias.

Bem os símbolos começavam a fazer sentido.
 .
Os 40 dias da gestação do coelho é um símbolo perfeito para os quarenta dias da quaresma.

Mas descobri mais...

Desde pequena associei a Pascoa com a ressurreição de Cristo no domingo, depois de uma sexta feira muito triste. 
Mais tarde aprendi que a nossa Pascoa tinha origem na Pascoa judaica, a saída dos judeus do Egito.

Descobri tambem que a nossa Pascoa é na verdade uma celebração "ancestral" da Primavera significando um novo ciclo de renascimento.

Os cristãos se utilizaram de uma antiga celebração que já estava radicada nos costumes do povo para tambem celebrarem a ressurreição de Cristo, que conforme a bíblia nos diz, aconteceu em um domingo após a celebração da Pascoa Judaica.

E o mais interessante...
 A Pascoa Judaica é uma festa “móvel” do nosso calendário, ou seja, não tem um dia certo! Sua datação é baseada na astronomia.
Ela é baseada no antigo "calendário lunar" usado pelo povo hebreu.

"A Pascoa católica sempre acontece no primeiro o domingo depois da primeira lua cheia após o equinócio da Primavera"
(no hemisfério Norte)

Agora tudo começou a fazer sentido:

“A datação da Páscoa se dá mediante a posição da lua em uma determinada época do ano!
 Esta data é fixada no final do inverno no hemisfério norte. Ou seja, começo de março.

 A Lua tem como símbolo a lebre, ou o coelho!
 Os coelhos assim como as galinhas se escondem no inverno e só reaparecem quando o sol começa a esquentar.
 Assim que o sol começa a se esquentar, as galinhas recomeçam a colocar seus ovos que são o símbolo de uma nova vida”.

Pronto, acho que desvendei a charada!

 Tem muito mais para se descobrir neste mundo de símbolos que usamos nas nossas festas.
Eu me encanto cada dia mais com eles e cada vez mais tem certeza que o homem é sempre o mesmo, sempre com as mesmas comemorações... Só mudam os nomes.

“Como disse o compositor “Belchior” na canção interpretada pela inesquecível “Elis Regina:

” ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Sim, como nossos, pais, avós, bisavós, tetravós, etc...


Uma Feliz Pascoa para você, repleta de amor, harmonia e coelhos e ovos ...